Presente e futuro do futebol feminino baiano
- André Souza

- 24 de nov. de 2020
- 3 min de leitura
A realidade enfrentada por atletas de Bahia e Vitória

Milena Bispo posa com a nova camisa do Bahia em arquibancada da Fonte Nova
Esporte Clube Bahia e Esporte Clube Vitória são os dois maiores clubes situados no estado da Bahia, em quesito de infraestrutura, investimento e torcida. Paixão e rivalidade impulsionam seus torcedores.
Mas grande parte da população baiana só conhece os elencos masculinos destes clubes, infelizmente os elencos femininos ainda não são valorizados pelo torcedor.
Pensando em abrir espaço e dar voz para as jogadoras que representam os times de coração do torcedor baiano, a Revista Dandaras convidou algumas atletas dos times femininos de Bahia e Vitória para uma entrevista.
As jogadoras relataram dificuldades, desigualdades e falta de incentivo enfrentados nas suas carreiras. Confira!
Visibilidade no futebol feminino
Em entrevista para a Dandaras, a volante do Bahia, Milena Bispo, 22, ao ser questionada sobre o que pode ser feito para aumentar a visibilidade do futebol feminino, afirmou:
“Falta uma maior visibilidade da mídia e apoio das marcas, ninguém pode dizer que ninguém assiste o Futebol Feminino porque os números estão aí pra provar o contrário. É preciso quebrar esse machismo e essa visão completamente distorcida sobre a modalidade”.
Já para a capitã do Vitoria, Valquíria Alves, 34, essa mudança ainda é um processo lento, porém de extrema importância para a categoria.

Valquíria Alves disputa a bola contra as defensoras da Ponte Preta em partida válida pela série A1 do Campeonato Brasileiro Feminino
Dificuldades enfrentadas
Sobre as dificuldades enfrentadas ao longo da carreira, as jogadoras pontuam que a falta de incentivo é uma das grandes barreiras enfrentadas por elas, entretanto elas acreditam que isso possa melhorar e indicam até soluções para isso.
Valquíria sugere que:
“Seria uma alternativa ir inserindo jogos femininos nas preliminares do masculino, poderia ser um grande avanço”.
Milena acredita no apoio da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e ressalta que:
“A CBF vem tendo uma postura diferente em relação a modalidade o que indica que vamos ter algumas melhorias”.
Sabe-se que o esporte não é só feito de alegrias, principalmente dentro do futebol quando os resultados não favorecem, a torcida acaba cobrando muito dos seus atletas, em relação a isso no futebol feminino, Milena argumenta que:
“Cobrança sempre existe, quando se joga em um clube como o Bahia, mas a torcida nos apoia e está́ sempre nos acompanhando de perto”.
Com relação a possuir uma figura masculina no comando da equipe, as jogadoras se sentem muito tranquilas e dizem não ter nenhum problema, além dos treinadores serem respeitosos e profissionais.
Jogadoras que inspiram
Trazendo em pauta a representatividade, as atletas do Bahia e do Vitória, enxergam as jogadoras que atuam na seleção como inspirações para as suas carreiras:, Marta, Formiga, Cristiane e tantas outas que lutaram pela modalidade.
Sobre uma dessas jogadoras, Milena declara:
“Falando de uma jogadora específica, me inspiro bastante na Formiga por jogar na mesma posição que ela joga”.
Futuro do Futebol feminino baiano
Pensando no futuro do futebol feminino baiano, as jogadoras sugerem mudanças e sonham com mais oportunidades.
Mesmo tendo a noção da realidade da categoria, Valquíria expõe:
“O fato de não gerarmos renda, ainda dificulta bastante o desempenho da categoria, mas para as coisas se ajustarem, os dirigentes teriam que dar o primeiro passo, o caminho é longo e duro, mas não impossível.”
Milena pensa de maneira semelhante a Valquíria:
“Acredito que a federação poderia nos observar com outros olhos, montar um campeonato melhor pra que as equipes joguem mais”.


Comentários