Sexo lésbico: como prevenir infecções sexualmente transmissíveis
- Gabriela Araújo

- 24 de nov. de 2020
- 2 min de leitura
Atualizado: 5 de dez. de 2020
Métodos adaptados são utilizados para evitar o aparecimento de doenças

Dra. Alessandra Ottan — Foto: Arquivo pessoal
Mitos, tabus e preconceitos são alguns dos elementos que favorecem a ausência de discussões a respeito da prevenção durante relações sexuais entre mulheres. Diante do atual panorama social, observa-se que a maioria das ações voltadas ao controle de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) possuem o homem e as relações heteronormativas como foco.
Ao contrário do pensamento de uma parcela significativa da população, os cuidados associados à prevenção das ISTs em uma relação sexual lésbica também devem ser levados em consideração. De acordo com Alessandra Ottan, ginecologista, obstetra, e especialista em sexologia clínica e atendimento humanizado ao público LGBTQI+, a baixa presença de profissionais capacitados para atender esse público é um dos fatores que contribuem para a permanência desse cenário. "Como não temos algo voltado especificamente para a prevenção da população lésbica, e nem todos os profissionais de saúde são habilitados na atenção a esse público, a assistência fica comprometida, deixando esse público desassistido e carente de informações", afirma.
Durante o sexo com penetração, geralmente feito entre mulher e homem, a camisinha, feminina e masculina, atua como aliada na prevenção de infecções. Por outro lado, não existe no mercado nenhum tipo de produto para proteção durante o sexo oral ou de contato, comumente realizado durante o ato sexual entre mulheres. Para Alessandra, essa falha da indústria é motivada por uma visão que mantém a centralidade no homem. "A indústria ainda é muito voltada à relação sexual com penetração, muito centrada no órgão sexual masculino, e sabemos que nem toda relação sexual necessariamente precisa ter penetração", diz.
Métodos de prevenção
Segundo a especialista, doenças como Gonorreia, Clamídia, Sífilis, Herpes, HPV e HIV podem, também, serem contraídas durante relações sexuais entre mulheres. Apesar de não existirem métodos específicos para prevenção durante o sexo lésbico, Ottan sugere adaptações capazes de prevenir o aparecimento de infecções:
Luva de procedimento: pode servir tanto para a masturbação ou quando existe alguma lesão suspeita na vagina, para que a parceira não se contamine.
Dental Dam: é uma película de plástico usada em consultório de dentistas que pode ser usada no sexo oral.
Camisinha feminina: é um bom método pois protege a vulva, que é a parte externa do órgão genital feminino.
Camisinha masculina: ela pode ter a ponta e anel cortados, ao desenrolar terá uma barreira semelhante ao Dental Dam.
Calcinha de Vênus: ela tem a parte frontal em látex, que pode ser usada durante o sexo oral ou de contato.
Brinquedos sexuais
Os cuidados com os acessórios sexuais também estão entre as pautas pouco discutidas desse universo. Higienizar adequadamente vibradores e utilizar preservativo durante o uso pode impedir o contato com bactérias e, consequentemente, evitar o surgimento de infecções. Além disso, também é recomendada a substituição do preservativo usado por outro novo durante o uso do mesmo vibrador na parceira.


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